Março traz consigo uma data (ainda e sempre) fundamental para refletirmos sobre a saúde mental feminina: o Dia da Mulher. Dia 8 de março assinala esta importante data, e ela deve servir para nos recordar a luta feminista até então, mas também assinalar que há ainda caminho a fazer.
Queremos por isso aproveitar o mês de março para focar no feminino, e, mais especificamente, na saúde mental feminina.
A saúde mental feminina é um pilar fundamental do bem-estar, e há desafios específicos que merecem atenção. Questões biológicas, sociais e culturais influenciam a forma como as mulheres experienciam e lidam com a saúde mental ao longo da vida. Neste artigo, exploramos os principais desafios e 8 estratégias para promover o bem-estar psicológico feminino.
Com alguma frequência, erradamente, assume-se que identificar necessidades específicas das mulheres é um movimento contrário ao da equidade e igualdade de direitos. É importante explicar porque é que isto não é verdade. Só pode existir igualdade de direitos se todas as pessoas tiverem as mesmas condições para os exercerem; se as suas necessidades específicas e particulares forem tidas em conta. Não é sobre todos puderem correr; é sobre garantir que é possível, para todos, chegar à meta.
Deste modo, importa falar sobre as especificidades inerentes à saúde mental feminina e aquilo que a influencia, pois essa é a única forma de garantir que todas as pessoas podem ter uma resposta adequada e, consequentemente, uma melhor saúde mental.
Reconhecer as barreiras únicas que as mulheres enfrentam, incluindo estigmas sociais e acesso limitado a cuidados especializados, é essencial para melhorar a saúde mental feminina.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres apresentam um maior risco de desenvolver perturbações mentais como a ansiedade e a depressão, quando comparadas aos homens. As mulheres também parecem apresentar uma maior suscetibilidade ao stress.
As necessidades específicas e particulares da saúde mental feminina estão relacionadas com desafios vários como discriminação, violência e trauma, questões de saúde reprodutiva e hormonal, desigualdade de género, pressão associada à beleza e imagem corporal, entre muitos outros.
As mulheres passam por diversas fases hormonais ao longo da vida, como a puberdade, ciclo menstrual, gravidez, pós-parto e menopausa. Essas mudanças podem impactar o humor, a energia e a estabilidade emocional.
Existem inclusive condições como a Síndrome Pré-Menstrual (SPM) e a Perturbação Disfórica Pré-Menstrual (PDPM), que estão associadas a níveis elevados de ansiedade e depressão. Além disso, alterações hormonais durante a menopausa podem agravar sintomas depressivos e de ansiedade.
Socialmente, há uma pressão colocada sobre as mulheres relacionada com questões como a aparência, o desempenho profissional, a maternidade e a vida pessoal. Estas expectativas podem gerar stresse, baixa autoestima e sentimentos de insuficiência.
Muitas mulheres enfrentam expectativas rígidas em diferentes dimensões e papéis das suas vidas – bem-sucedidas profissionalmente, mães dedicadas, cuidadoras da família e ainda manterem uma aparência impecável. Essa pressão pode levar à ansiedade, exaustão e sentimentos de insuficiência.
Outros estereótipos estão relacionados com a fragilidade emocional, ainda existindo por vezes uma tendência a minimizar o sofrimento emocional das mulheres como “exagero” ou “sensibilidade excessiva”. Isso pode levar à desvalorização dos seus problemas psicológicos e à resistência em procurar ajuda.
Na verdade, alguns estudos indicam que a dor das mulheres (física e emocional) é frequentemente desconsiderada ou mal diagnosticada. Isso ocorre, por exemplo, quando sintomas de depressão ou ansiedade são tratados como parte “natural” da experiência feminina, em vez de condições de saúde legítimas.
Adicionalmente, importa referir também que padrões de beleza inatingíveis reforçados pelos média e redes sociais aumentam a incidência de transtornos alimentares, insatisfação corporal e baixa autoestima, afetando principalmente mulheres jovens.
Apesar dos progressos das últimas décadas na distribuição mais igualitária de papéis, nomeadamente no respeitante à vida doméstica e ao cuidado dos filhos, a verdade é que estas responsabilidades ainda recaem mais sobre as mulheres. Isto faz com que a conciliação trabalho-família seja particularmente desafiante e possa existir sobrecarga emocional e física. Esta sobrecarga, por consequência, está intimamente ligada a sintomas de esgotament
As mulheres podem ter menos tempo e recursos para procurar apoio psicológico, especialmente se acumulam múltiplas funções e responsabilidades. Além disso, em alguns contextos culturais, falar sobre sofrimento mental pode ser desencorajado, reforçando o silêncio e a falta de tratamento.
As mulheres estão mais expostas a experiências de violência doméstica, assédio e abusos, que podem estar na origem de psicopatologia, como perturbação de stresse pós-traumático, ansiedade ou depressão.
De facto, o assédio, a violência doméstica e a desigualdade estrutural contribuem para taxas mais altas destas patologias do foro mental. O medo e a revitimização podem dificultar a procura por apoio e justiça.
Reconhecer que existem especificidades e necessidades particulares na saúde mental feminina é fundamental. A partir daqui, podemos então pensar em respostas fundamentais e em estratégias que podem contribuir para uma melhor saúde mental feminina.
Reconhecer e validar as próprias emoções é um passo essencial para lidar com os desafios diários. Praticar a autocompaixão e abandonar padrões irreais de perfeição ajuda a reduzir a pressão psicológica.
Procurar ajuda profissional e contar com uma rede de apoio (família, amigos e grupos de suporte) pode ser fundamental para atravessar momentos difíceis e fortalecer a resiliência emocional.
Manter relações sociais saudáveis e contar com uma rede de apoio – seja de amigas, familiares ou grupos de suporte – é essencial para o bem-estar emocional. Conversar com outras mulheres que passam por desafios semelhantes pode ser extremamente benéfico.
Exercício físico, alimentação equilibrada, meditação e momentos de lazer são essenciais para a saúde mental. Pequenas pausas na rotina e espaço para atividades prazerosas fazem diferença no bem-estar.
Aprender a dizer “não” e definir limites saudáveis é essencial para evitar sobrecarga. Seja no trabalho, nas relações ou na vida pessoal, preservar espaço para si mesma é um ato de cuidado e respeito próprio. Para mulheres que acumulam múltiplos papéis, é essencial reservar momentos para si mesmas sem culpa.
Monitorizar sintomas emocionais ao longo do ciclo menstrual e durante períodos de mudanças hormonais (como gravidez ou menopausa) pode ajudar a identificar padrões e a implementar estratégias de bem-estar. Terapias específicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental, podem ajudar na gestão destas alterações.
Trabalhar a autoaceitação e desconstruir padrões irreais de beleza e comportamento impostos pela sociedade pode ter um impacto positivo na autoestima e no bem-estar psicológico.
Falar abertamente sobre saúde mental é um passo importante para reduzir o estigma e encorajar mais mulheres a procurar ajuda sem medo ou vergonha. Quanto mais discutimos o tema, mais natural se torna o autocuidado emocional.
Cuidar da saúde mental é essencial para uma vida equilibrada e plena. Compreender os desafios específicos enfrentados pelas mulheres e adotar estratégias para promover o bem-estar emocional pode fazer toda a diferença. Se precisa de apoio, procure um profissional de saúde mental. A sua saúde importa!
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