Ansiedade de separação é um fenómeno comum no desenvolvimento infantil, mas pode também persistir e afetar adolescentes, causando impacto emocional, comportamental e social. É normal que a criança ou o adolescente sinta medo diante da ausência de uma figura de vinculação (pais e ou cuidadores), mas quando essa ansiedade se torna intensa, recorrente ou desproporcional, pode transformar-se numa dificuldade que interfere com a vida quotidiana.
Neste artigo vamos explorar o que é a ansiedade de separação, como identificar sinais de alerta, o que pode estar por trás, inclusive o estilo de vinculação, e quais estratégias práticas podem ajudar a criança e a família a viver esse processo com mais equilíbrio e segurança.
A ansiedade de separação refere-se ao medo intenso e persistente associado à ausência dos cuidadores principais. É considerada uma parte normal do desenvolvimento em bebés e crianças pequenas e costuma diminuir com a idade. Todavia, quando se torna duradoura e afeta significativamente a rotina escolar, familiar ou social, podemos estar diante da Perturbação de Ansiedade de Separação.
Segundo o DSM‑5, esta perturbação caracteriza-se por:
Crianças entre os 8 meses e os 3 anos manifestam ansiedade de separação como parte da maturação afetiva e cognitiva. A capacidade de explorar o mundo começa a crescer ao mesmo tempo que emergem sentimentos de dependência e vinculação segura à figura parental.
Se a ansiedade se prolongar além dos 3 anos ou reaparecer em fases posteriores (como na adolescência), especialmente em contexto de mudança ou stress (divórcio, mudança de casa, chegada de um irmão), é importante observar se o comportamento causa sofrimento significativo ou prejuízo no dia a dia.
Podem surgir sintomas emocionais, comportamentais e físicos que ajudam a identificar a presença de ansiedade persistente:
A ansiedade de separação torna-se preocupante quando os sintomas persistem por mais de quatro semanas e causam sofrimento significativo; A criança recusa frequentar a escola ou ambientes sociais; Surgem queixas físicas frequentes relacionadas com separações; Há impacto no rendimento escolar, relacionamentos ou vida familiar. Se estas manifestações ocorrerem trata-se de sinais importantes que indicam a necessidade de procura especializada.
Temperamento e predisposição genética – Algumas crianças têm maior predisposição natural para regulação emocional complexa, sendo mais sensíveis ou ansiosas;
Estilo de vinculação – A vinculação insegura, especialmente a vinculação ambivalente, aumenta o risco de ansiedade intensa em situações de separação;
Mudanças de vida ou traumas – Situações como a mudança de casa, entrada na escola, divórcio, rotinas alteradas ou lutos podem provocar ansiedade até em crianças previamente ajustadas;
Estilos parentais – Os pais que também apresentam ansiedade ou que evitam separações podem sem querer reforçar a angústia da criança. A resposta emocional dos cuidadores molda, em grande parte, a perceção de segurança da criança
1- Exposição gradual
Realizar pequenas separações (creche ou casa de familiares) por poucos minutos e aumentar progressivamente, garantindo sempre o retorno previsível e seguro;
2 – Despedidas curtas e confiantes
Despedir-se de forma breve, clara e com confiança transmite segurança. Evitar prolongar momentos tensos. A atitude calma dos pais ajuda a criança a entender que a separação é temporária e segura;
3 – Criar associações positivas
Transformar a despedida em momento de expectativa positiva ao falar sobre o que irá acontecer depois da separação (brincar com um avô, ir ao parque, estar com os amiguinhos etc.);
4 – Objetos de conforto
Um boneco, um cachecol ou um brinquedo com cheiro familiar pode ajudar a criança a sentir-se mais segura na ausência dos cuidadores;
5 – Evitar reforçar o medo
A criança deve ser acolhida, mas desistir dos momentos de separação faz a manutenção do comportamento. A separação não deve ser evitada, mas sim feita com segurança e previsibilidade e com a adoção de algumas técnicas de relaxamento;
6 – Articulação com a creche e/ou escola
A colaboração com professores e educadores é importante. Um adulto de referência na escola pode ajudar a criança a sentir-se mais segura e facilitar a adaptação.
7 – Reforço positivo
Reconhecer os esforço da criança nos momentos da separação e elogiar quando há enfrentamento, mesmo que sejam pequenos momentos de separação, pois isto reforça a coragem e autonomia emocional da criança.
O acompanhamento psicológico permite:
Este acompanhamento é útil não apenas para a criança, mas também para os pais, que podem aprender a gerenciar a própria ansiedade e corrigir padrões no vínculo que podem sustentar a dependência emocional.
A ansiedade de separação é uma fase esperada no desenvolvimento humano, mas pode tornar-se debilitante se ultrapassar os limites do que é proporcional ao nível de maturidade da criança. Reconhecer os sinais, sejam emocionais, físicos ou comportamentais, é o primeiro passo para intervir com empatia e assertividade.
Quando a ansiedade é persistente ou prejudicial, a intervenção especializada faz toda a diferença, seja através da psicoterapia ou de apoio integrado com a escola e a família.
Se este tema trouxe dúvidas ou desafios recentes, considere procurar ajuda de um psicólogo especializado em saúde infantil. A ansiedade de separação pode ser trabalhada com sucesso e permitir o crescimento emocional saudável da criança.
Por fim, consideramos pertinente a leitura do documento fornecido pela OPP – https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_dra_ebookartigosdeopiniao.pdf – que oferece uma visão clara e prática sobre os diferentes tipos de ansiedade incluindo o tema do artigo.
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