Rotinas nas férias de verão é para manter tudo igual? Fazer mudanças? O que é melhor nesta altura? Estas são algumas das perguntas que muitos pais fazem com a chegada das férias. A verdade é que com a chegada das férias de verão, o ritmo familiar sofre alterações significativas e muitas das rotinas estabelecidas ao longo do ano letivo tendem a ser interrompidas. Os horários tornam-se mais flexíveis, as refeições deixam de ter um horário fixo e o tempo dedicado a dispositivos eletrónicos muitas vezes aumenta, substituindo outras atividades estruturadas.
Essa mudança levanta questões importantes: será que abandonar as rotinas habituais é prejudicial para o desenvolvimento e bem-estar das crianças e adolescentes? Ou poderá esta flexibilização representar uma oportunidade de crescimento e descanso?
Neste artigo vamos refletir sobre as rotinas das crianças e adolescentes durante o período de verão, analisando o impacto que têm no seu equilíbrio emocional e no seu desenvolvimento, e destacando a importância de encontrar um equilíbrio saudável entre estrutura e liberdade. Manter as mesmas rotinas do ano letivo não é, na maioria dos casos, o ideal, mas também não é recomendável abdicar por completo da organização diária.
As rotinas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental das crianças e dos jovens. São elementos estruturantes que ajudam a criar um ambiente previsível e seguro, que favorece a regulação emocional e a aprendizagem. Para as crianças e adolescentes, a existência de rotinas:
Além disso, períodos de crescimento intenso, como a infância e a adolescência, implicam uma grande necessidade de suporte emocional e estabilidade. A ausência de rotinas pode gerar uma sensação de desorientação e insegurança, que por vezes se manifesta em comportamentos como irritabilidade, ansiedade ou mesmo rebeldia.
Durante o ano letivo, o quotidiano das crianças e adolescentes é geralmente orientado por horários rígidos impostos pela escola, atividades extracurriculares e compromissos familiares. O verão implica uma quebra dessa rigidez, que se revela necessária para o descanso e a recuperação da energia.
Este período deve ser encarado como uma oportunidade para descansar, desconectar da pressão escolar e promover momentos de lazer e liberdade. Contudo, a ausência total de rotina pode levar à desregulação emocional e comportamental, com impacto negativo na saúde mental e física.
Horários de sono irregulares, excesso de tempo diante de ecrãs, alimentação desorganizada e a ausência de limites claros criam um ambiente propício a conflitos e instabilidade. Por isso, torna-se fundamental encontrar um equilíbrio entre a flexibilidade natural das férias e a manutenção de uma estrutura que garanta o bem-estar.
Depende (a palavra preferida dos psicólogos eu sei). A resposta não é universal e depende das características e necessidades individuais de cada criança ou adolescente, bem como do contexto familiar.
Manter as mesmas rotinas do ano letivo pode ser irrealista e até contraproducente, especialmente porque o verão deve ser um tempo de descanso. No entanto, abdicar totalmente da organização e previsibilidade pode comprometer o equilíbrio emocional e físico dos mais novos.
Seguem algumas orientações que podem ajudar a definir o que deve ser mantido, adaptado ou suspenso durante as férias:
O que se recomenda manter:
O que pode ser adaptado:
O que pode ser suspenso temporariamente:
Estas recomendações têm como objetivo garantir uma base que preserve o bem-estar e a saúde física e emocional, sem transformar as férias num período de desorganização total.
1 – Estabelecer uma rotina flexível e adaptada à realidade familiar:
É aconselhável definir uma estrutura orientadora para o dia, contemplando momentos para as refeições, o descanso, a brincadeira, a atividade física e os momentos em família. Esta previsibilidade transmite segurança e conforto às crianças e adolescentes.
2 – Manter horários regulares de sono:
Embora seja natural que durante o verão haja um ligeiro adiamento do horário para dormir e acordar, é importante que essa alteração seja moderada. O sono regular é crucial para a regulação emocional, concentração e bem-estar geral.
3 – Controlar e equilibrar o tempo de exposição a ecrãs:
O uso de dispositivos eletrónicos deve ser monitorizado e intercalado com outras atividades, preferencialmente ao ar livre, como jogos, desporto ou leitura, de modo a garantir um desenvolvimento saudável.
4 – Incluir as crianças e adolescentes na organização do dia:
Permitir que os mais jovens participem na escolha das atividades promove autonomia, responsabilidade e colaboração familiar, além de aumentar o seu interesse e envolvimento.
5 – Valorizar o tempo de ócio não estruturado:
Não é necessário preencher todos os momentos com atividades dirigidas. O tempo livre estimula a criatividade, a capacidade de autorregulação e a tolerância à frustração, habilidades fundamentais para o desenvolvimento emocional.
6 – Preparar o regresso às rotinas escolares:
Nas últimas semanas das férias, é importante restabelecer gradualmente horários mais próximos aos do período letivo, facilitando a transição e diminuindo o impacto do regresso.
As férias de verão representam uma excelente oportunidade para reforçar os laços familiares e criar memórias positivas. Aproveitar este tempo não significa planear atividades todos os dias, mas sim encontrar momentos de qualidade, adaptados à realidade de cada família. Algumas sugestões incluem:
Passeios na natureza: caminhadas em trilhos, piqueniques em parques ou visitas a praias fluviais são atividades acessíveis, que promovem o bem-estar físico e emocional;
Tardes de jogos em família: jogos de tabuleiro, cartas ou até desafios criativos (como construir algo com materiais reciclados) podem ser momentos divertidos e educativos;
Atividades artísticas: desenhar, pintar, modelar ou criar projetos simples em casa estimula a criatividade e fortalece a expressão emocional;
Exploração cultural: visitas a museus, exposições, bibliotecas ou sessões de cinema ao ar livre são formas de lazer que também despertam a curiosidade e a aprendizagem;
Pequenas tarefas partilhadas: cozinhar em conjunto, cuidar de uma pequena horta ou organizar espaços da casa são formas de trabalhar a responsabilidade e o espírito de equipa, mesmo nas férias;
Tempo de pausa e descanso partilhado: criar momentos de leitura, silêncio ou observação da natureza também pode ser uma excelente forma de desacelerar e regular os ritmos familiares;
A chave está em equilibrar momentos organizados com espaços de liberdade e espontaneidade. Não é necessário planear em excesso, mas é importante garantir que há tempo de qualidade partilhado. Estes momentos são fundamentais para o desenvolvimento emocional e para fortalecer o sentimento de pertença e segurança.
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As férias de verão devem ser um período de descanso e descontração, mas sem abdicar completamente da organização que oferece segurança e conforto às crianças e adolescentes. O equilíbrio entre estrutura e liberdade é essencial para que os mais novos possam desfrutar de momentos de lazer sem prejudicar o seu desenvolvimento físico e emocional. Estabelecer rotinas flexíveis, que respeitem os ritmos individuais e as dinâmicas familiares, ajuda a garantir um verão harmonioso, que prepara para um regresso tranquilo às atividades escolares.
Cada família deve ajustar estas recomendações à sua realidade, reconhecendo que o mais importante é garantir um ambiente previsível, seguro e equilibrado.
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