Com a aproximação do verão, aumenta também a exposição a mensagens sobre perda de peso, dietas rápidas e transformações corporais. As redes sociais enchem-se de desafios, planos alimentares, fotografias de “antes e depois” e promessas de alcançar o chamado corpo de verão. Embora o desejo de cuidar da saúde ou sentir-se bem com a própria imagem seja legítimo, a pressão para atingir determinados padrões físicos pode ter um impacto significativo na saúde mental.
Mas afinal, o que significa ter um corpo de verão? E que consequências pode ter a procura incessante por um ideal corporal muitas vezes irrealista?
A expressão corpo de verão sugere que existe uma determinada aparência física necessária para usufruir desta estação do ano. De forma implícita, transmite a ideia de que alguns corpos são mais adequados do que outros para usar roupa mais leve, ir à praia ou sentir-se confortável em espaços públicos.
O problema desta ideia é que ela parte de um pressuposto incorreto: o de que o valor de uma pessoa, a sua confiança ou o seu direito de desfrutar da vida dependem da sua aparência física.
Na realidade, não existe um único tipo de corpo adequado para o verão. Existem corpos diferentes, com características, formas e histórias diferentes. Ainda assim, vivemos numa sociedade onde a aparência física ocupa um lugar de destaque, sendo frequentemente associada a sucesso, disciplina, felicidade e até saúde.
Esta pressão tende a intensificar-se nos meses que antecedem o verão, levando muitas pessoas a sentirem-se insatisfeitas com a sua imagem corporal e a procurarem soluções rápidas para modificar o corpo.
A preocupação com a imagem corporal não surge do nada. Ela resulta de um conjunto de fatores sociais, culturais e psicológicos que influenciam a forma como nos vemos.
As redes sociais desempenham um papel importante neste processo. A exposição constante a imagens altamente selecionadas, editadas ou filtradas cria uma perceção distorcida da realidade. Frequentemente, comparamo-nos com versões idealizadas de outras pessoas, esquecendo que essas imagens não representam a diversidade corporal existente.
Além disso, a publicidade e a indústria do bem-estar reforçam frequentemente a mensagem de que é necessário mudar o corpo para sermos mais felizes, mais atraentes ou mais confiantes.
Quando estas mensagens são repetidas ao longo do tempo, é natural que muitas pessoas comecem a acreditar que o seu valor depende da aparência física.

Perante a pressão para perder peso rapidamente, muitas pessoas recorrem a dietas altamente restritivas.
Estas dietas caracterizam-se geralmente por limitações severas na alimentação, exclusão de determinados grupos alimentares ou redução acentuada da ingestão calórica. Embora possam produzir resultados rápidos numa fase inicial, tendem a ser difíceis de manter a longo prazo.
O nosso organismo está biologicamente preparado para sobreviver. Quando interpretado como um período de privação, o corpo desencadeia mecanismos de adaptação que aumentam a fome, reduzem o gasto energético e intensificam o desejo por alimentos considerados “proibidos”.
Por esse motivo, muitas pessoas acabam por viver um ciclo repetitivo de restrição, perda de controlo alimentar, culpa e nova tentativa de dieta.
Este processo não afeta apenas o peso. Afeta também a relação com a comida, com o corpo e consigo próprio.
Perante a pressão para perder peso rapidamente, muitas pessoas recorrem a dietas restritivas.
Estas dietas caracterizam-se geralmente por limitações severas na alimentação, exclusão de determinados grupos alimentares ou redução acentuada da ingestão calórica. Embora possam produzir resultados rápidos numa fase inicial, tendem a ser difíceis de manter a longo prazo.
O nosso organismo está biologicamente preparado para sobreviver. Quando interpreta a restrição alimentar como um período de privação, o corpo desencadeia mecanismos de adaptação que podem aumentar a fome, reduzir o gasto energético e intensificar o desejo por alimentos considerados proibidos.
Por esse motivo, muitas pessoas acabam por viver um ciclo repetitivo de restrição, perda de controlo alimentar, culpa e nova tentativa de dieta.
Este processo não afeta apenas o peso. Afeta também a relação com a comida, com o corpo e consigo próprio.
Quando falamos dos riscos das dietas restritivas, tendemos a pensar apenas nas consequências físicas. No entanto, os efeitos psicológicos podem ser igualmente significativos.
A preocupação constante com calorias, peso e alimentação pode aumentar os níveis de ansiedade e stress. A pessoa passa a dedicar uma grande parte do seu tempo e energia mental ao controlo alimentar, tornando a comida uma fonte permanente de preocupação.
Além disso, quando as regras impostas pela dieta são quebradas, surgem frequentemente sentimentos de culpa, fracasso e vergonha.
Com o tempo, isto pode contribuir para a diminuição da autoestima, aumento da insatisfação corporal, ansiedade relacionada com a alimentação, isolamento social, desenvolvimento de uma relação rígida e conflituosa com a comida e maior risco de perturbações do comportamento alimentar.
Paradoxalmente, quanto mais uma pessoa tenta controlar rigidamente a alimentação, maior tende a ser o sofrimento psicológico associado à mesma.
Um dos maiores riscos da cultura do corpo de verão é transformar a aparência física na principal medida do valor pessoal.
Quando a autoestima depende excessivamente do peso, da forma corporal ou da aparência, qualquer alteração física pode ter um impacto profundo na forma como a pessoa se sente consigo própria
No entanto, a identidade de uma pessoa é muito mais vasta do que a sua imagem corporal. Somos constituídos pelas nossas relações, valores, competências, experiências, emoções, objetivos e características pessoais.
Reduzir o nosso valor à aparência física é ignorar grande parte daquilo que realmente somos.

Desenvolver uma imagem corporal mais positiva não significa gostar de todos os aspetos do próprio corpo em todos os momentos. Significa aprender a relacionar-se com ele de forma mais equilibrada, realista e respeitosa.
Algumas estratégias que podem ajudar incluem:
Nem tudo aquilo que vemos representa a realidade. Desenvolver uma visão crítica relativamente às mensagens transmitidas pelas redes sociais e pela publicidade pode ajudar a diminuir a pressão para corresponder a padrões irrealistas.
O corpo é muito mais do que uma imagem. É através dele que caminhamos, trabalhamos, aprendemos, abraçamos quem gostamos, viajamos, praticamos atividades que nos dão prazer e experienciamos a vida.
Focar-nos apenas na aparência faz-nos esquecer tudo aquilo que o corpo nos permite fazer diariamente.
Cada corpo possui características genéticas, metabólicas e estruturais únicas. Compararmo-nos continuamente com outras pessoas gera frustração e alimenta a insatisfação corporal.
Cuidar da saúde é diferente de perseguir um ideal estético. Alimentação equilibrada, exercício físico, sono adequado e gestão do stress devem ser vistos como formas de promover bem-estar e qualidade de vida, e não como castigos destinados a alterar a aparência.
Quanto mais diversificadas forem as fontes da nossa autoestima, menos dependentes estaremos da aparência física para nos sentirmos bem connosco próprios.
Talvez a questão não seja como obter um “corpo de verão”, mas sim como viver o verão com maior liberdade e bem-estar.
Isso implica aceitar que o nosso valor não depende de um número na balança, do tamanho da roupa que vestimos ou da comparação com os outros.
O corpo merece cuidado, respeito e atenção. Mas merece também ser vivido, e não apenas avaliado.
Porque, no final de contas, o único requisito para ter um corpo de verão é ter um corpo e estar presente nele.
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