O suicídio ainda é atualmente uma causa de morte frequente no mundo. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 720 000 suicídios por ano, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Urge, assim, continuarmos a falar deste tema, e é nesse sentido que iniciativas como o Setembro Amarelo são tão importantes.
Ao longo deste artigo, vamos clarificar conceitos associados ao suicídio e ideação suicida, identificar os principais fatores de risco e proteção, bem como perceber quais as formas de tratamento e apoio disponíveis. Além disso, apresentaremos alguns dos principais sinais de alerta e formas de ajudar alguém com ideação suicida.
Suicídio, ideação suicida e comportamentos autolesivos: qual é a diferença?
O suicídio pode ser definido como o ato de terminar com a própria vida. Este resulta da interação de fatores de ordem fisiológica, antropológica, psicológica, biológica e social. Considerando esta complexidade, nem sempre conseguimos compreender o suicídio e o porquê ele acontece.
Já a ideação suicida ou pensamento suicidário, consiste em pensar sobre morte e o suicídio. Geralmente estes pensamentos podem ser pensar sobre morrer, desejar “desaparecer”, ou até mesmo considerar e planear o suicídio. Nem sempre alguém que pensa sobre suicídio tem realmente a intenção de se suicidar. A pessoa pode desejar morrer quando sente que o seu sofrimento é muito intenso e não querer consumar o ato. Por outro lado, se os pensamentos passam para planear o suicídio, o grau de risco da sua concretização já é maior.
Comportamentos autolesivos podem ser utilizados com a intenção de cometer suicídio ou não. Os comportamentos autolesivos não suicidários são definidos como ações deliberadas para ferir o próprio corpo, sem a aparente ou consciente intenção suicida. As formas mais comuns de autolesão incluem o corte, queimaduras, arranhões, bater em objetos com a intenção de ferir a si mesmo, asfixia, ingestão de substâncias (como medicamentos) em dose excessiva, ingestão de drogas ilícitas e de substâncias/objetos não ingeríveis. Embora estas ações nem sempre visam a morte, em muitos casos, podem levar à morte acidental.
Porque é que o suicídio acontece?
O suicídio é um fenómeno complexo, que resulta da interação de diferentes fatores individuais, psicológicos, sociais e contextuais. No centro desta complexidade encontra-se, muitas vezes, um sofrimento emocional intenso, no qual a pessoa pode sentir que a dor que vive é insuportável e que já não consegue encontrar outras formas de lidar com aquilo que está a experienciar.
É importante, contudo, lembrar que a presença de um ou mais fatores de risco não significa que uma pessoa irá necessariamente desenvolver comportamentos suicidas. Estes fatores ajudam-nos, sobretudo, a compreender situações de maior vulnerabilidade e a reconhecer quando pode ser importante reforçar o apoio e procurar ajuda.
Entre os principais fatores de risco encontram-se:
Perdas, mudanças e acontecimentos stressantes
Perdas significativas, como a morte de alguém próximo ou o fim de uma relação importante, bem como mudanças marcantes no padrão de vida, desemprego, pressão intensa ou outras situações de stress, podem contribuir para períodos de maior fragilidade emocional.
Isolamento e afastamento
O isolamento social também pode desempenhar um papel importante. Afastar-se progressivamente de amigos e familiares, abandonar atividades que anteriormente proporcionavam prazer, perder o interesse por hobbies, estudos ou trabalho, ou recusar falar sobre aquilo que está a sentir podem ser sinais de que algo não está bem.
Alterações comportamentais
Mudanças significativas no comportamento podem igualmente merecer atenção: maior agitação, irritabilidade, agressividade ou descontrolo emocional, envolvimento em comportamentos de risco desnecessários ou alterações marcadas nos hábitos e na forma de estar com os outros.
Em algumas situações, podem surgir também comportamentos de preparação ou despedida, como começar a organizar assuntos pessoais ou a despedir-se de pessoas próximas. Estes sinais devem ser levados a sério, sobretudo quando surgem associados a outros indicadores de sofrimento.
Contextos de discriminação e violência
Experiências de bullying, cyberbullying, assédio no local de trabalho ou violência comunitária podem aumentar o sofrimento psicológico. Pessoas pertencentes a grupos minoritários, incluindo pessoas LGBTQIA+, podem também enfrentar fatores sociais adicionais, como discriminação, rejeição ou falta de apoio, que podem contribuir para uma maior vulnerabilidade.
Consumo de álcool e outras substâncias
O consumo problemático de álcool e outras substâncias pode aumentar a vulnerabilidade, particularmente quando associado a sofrimento emocional, impulsividade ou outras dificuldades psicológicas.

Saúde mental e experiências anteriores
Algumas condições de saúde mental podem estar associadas a um maior risco, nomeadamente perturbações depressivas, perturbação bipolar, perturbações de ansiedade, perturbação de stress pós-traumático, algumas perturbações da personalidade, psicoses, esquizofrenia e perturbações relacionadas com o uso de substâncias. Também merece especial atenção a existência de ideação ou de tentativas de suicídio anteriores, sendo este um dos indicadores mais importantes de risco futuro.
Doença física e dor
Determinadas condições físicas podem contribuir para um maior sofrimento, sobretudo quando envolvem dor crónica, doença grave ou incapacitante, diagnóstico de doença terminal ou alterações significativas na autonomia e qualidade de vida.
Idade e desenvolvimento
O risco também pode variar ao longo do ciclo de vida. A adolescência, por exemplo, é uma fase de particular importância, marcada por profundas mudanças emocionais, sociais e desenvolvimentais, que justificam especial atenção ao bem-estar psicológico.
História familiar e experiências de vida
A existência de antecedentes familiares de comportamentos suicidas pode aumentar a vulnerabilidade. Do mesmo modo, experiências adversas durante a infância ou adolescência, incluindo abuso físico, emocional ou sexual, podem ter impacto significativo no bem-estar psicológico.
Nenhum destes fatores, por si só, explica o comportamento suicida. O risco resulta da combinação de diferentes circunstâncias e da forma como cada pessoa vive e interpreta aquilo que está a acontecer na sua vida. Por isso, é importante estar atento ao conjunto das mudanças, ouvir sem julgamentos e procurar ajuda quando existe sofrimento significativo.
Fatores de proteção: o que pode ajudar?
Se, por um lado, existem circunstâncias que podem aumentar a vulnerabilidade perante o sofrimento psicológico, também existem fatores de proteção que podem ajudar a pessoa a enfrentar momentos de crise, reduzir o impacto desse sofrimento e diminuir a probabilidade de uma ideação suicida evoluir para uma tentativa.
Estes fatores não significam que uma pessoa nunca irá experienciar pensamentos suicidas. Mesmo alguém que tenha uma rede de apoio sólida pode passar por momentos de grande sofrimento. No entanto, ter recursos internos e externos aos quais recorrer pode fazer uma diferença importante, sobretudo nos momentos de maior vulnerabilidade.
Relações significativas e apoio emocional
Sentir que não se está sozinho pode ser um dos elementos mais importantes. O apoio da família, dos amigos, do companheiro/companheira e de outras pessoas significativas pode proporcionar segurança, compreensão e um espaço onde seja possível falar sobre aquilo que se está a sentir sem medo de julgamento.
Sentimento de pertença e ligação à comunidade
Estar ligado a outras pessoas e sentir que se pertence a uma comunidade pode contribuir para diminuir o isolamento. Participar em atividades comunitárias, grupos, associações ou outros espaços de convivência pode fortalecer relações e criar um maior sentimento de pertença.
Uma vida social significativa
Manter relações sociais satisfatórias e atividades que proporcionem prazer, propósito ou realização pode ajudar a preservar fontes de apoio e bem-estar. Ter momentos de lazer, interesses pessoais e atividades significativas permite também que a vida não fique reduzida ao sofrimento que a pessoa está a atravessar.
Rotina e hobbies
O trabalho, os estudos, atividades de voluntariado, hobbies ou outras ocupações podem contribuir para uma sensação de estrutura, autonomia e propósito. Mais do que estar simplesmente “ocupado”, é importante que a pessoa encontre espaços nos quais se sinta valorizada e envolvida.
Acesso a cuidados de saúde mental
Ter acesso a profissionais e serviços de saúde mental pode facilitar o reconhecimento precoce do sofrimento e o acompanhamento adequado. Psicólogos, psiquiatras, médicos e outros profissionais podem ajudar a pessoa a compreender aquilo que está a experienciar e a encontrar estratégias para lidar com momentos de crise.
Apoio profissional e continuidade do acompanhamento
Procurar ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, reconhecer que se precisa de apoio e permitir que outras pessoas participem no processo de recuperação pode ser um passo fundamental. O acompanhamento profissional pode ajudar a desenvolver recursos para lidar com pensamentos difíceis, fortalecer estratégias de coping e construir alternativas perante situações que parecem, naquele momento, sem saída.
Crenças e valores pessoais
Para algumas pessoas, as crenças religiosas, espirituais, culturais ou os valores pessoais podem constituir uma importante fonte de significado, esperança e ligação aos outros. A forma como estes elementos funcionam como proteção é, naturalmente, diferente de pessoa para pessoa e deve ser compreendida dentro da sua história e contexto.
Existe tratamento?
A ideação suicida pode surgir num momento de sofrimento intenso, mas não significa que a pessoa esteja sem solução ou que a situação não possa melhorar. Existem diferentes formas de ajuda especializada, e a intervenção adequada pode contribuir significativamente para reduzir o sofrimento, diminuir o risco de suicídio e ajudar a pessoa a recuperar. O tratamento depende das necessidades de cada pessoa, da origem e intensidade do sofrimento e do nível de risco identificado. Entre as principais formas de intervenção encontram-se:
Psicoterapia
A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender os pensamentos, emoções e situações que estão associados ao seu sofrimento. Permite também desenvolver estratégias para lidar com emoções difíceis, resolver problemas, promover recursos pessoais e encontrar alternativas perante situações que, naquele momento, podem parecer sem saída.
Hospitalização
Quando existe um risco elevado de suicídio, pode ser necessário um período de hospitalização. O internamento proporciona um ambiente protegido, com acompanhamento e supervisão, permitindo estabilizar a situação e garantir a segurança da pessoa durante uma fase de maior vulnerabilidade.
A necessidade de hospitalização é avaliada individualmente, considerando fatores como a intensidade da intenção suicida, a existência de um plano, o acesso a meios potencialmente letais, a presença de sintomas psiquiátricos agudos e o apoio disponível.
Medicação
Em determinadas situações, a medicação pode fazer parte do tratamento, particularmente quando existem sintomas ou perturbações que beneficiem de intervenção farmacológica. A sua prescrição deve ser sempre acompanhada por uma avaliação clínica adequada e por um profissional de saúde, tendo em conta os benefícios, possíveis efeitos secundários e características individuais da pessoa.

Mas, afinal, o que significa realmente mudar a narrativa?
Nem sempre conseguimos identificar os sinais de alerta para o risco de suicídio em primeira instância, e um dos motivos é o facto de falar sobre suicídio ainda ser tabu. As reservas em relação ao tema podem constituir um obstáculo impeditivo às pessoas puderem expressar o que estão a sentir.
É frequente, após um suicídio, ouvirmos comentários como “mas aquela pessoa estava sempre a sorrir”, “ela parecia estar tão bem” ou “tinha uma vida estável e uma família tão boa”.
Na nossa cultura, pessoas que têm ideação suicida podem temer ser vistas como fracas, egoístas ou incapazes de lidar com a vida, quando, na realidade, os pensamentos suicidas estão frequentemente associados a níveis muito elevados de sofrimento psicológico. Em algumas culturas e países, o suicídio é mesmo considerado um crime, o que torna o estigma ainda maior.
É fundamental que cada um de nós possa começar a mudar a narrativa sobre o suicídio. Esse comportamento individual pode, na realidade, ter um enorme impacto coletivo, inspirando outras pessoas ou comunidades, organizações e governos a participar em discussões abertas e honestas sobre o suicídio e a ideação suicida. Não reacear começar a conversa sobre o suicídio pode contribuir, de facto, para uma maior abertura para aqueles que neste momento precisam de procurar ajuda.
O que devemos evitar quando alguém fala connosco sobre ideação suicida?
É normal ter dificuldade em saber como reagir perante uma situação de ideação suicida. Embora não exista uma forma única ou “perfeita” de lidar com estas situações, alguns comportamentos e reações podem dificultar a conversa e não ser particularmente úteis, tais como:
- Desvalorizar aquilo que a pessoa está a sentir;
- Dizer que “tem tudo para estar feliz”;
- Comparar o seu sofrimento com o de outras pessoas;
- Culpabilizar a própria pessoa por aquilo que está a passar;
- Dizer simplesmente para “pensar positivo”;
- Prometer manter em segredo uma situação que envolva risco para a segurança da pessoa;
- Tentar resolver imediatamente todos os problemas ou fazer promessas que não se pode cumprir.
Mais do que encontrar as palavras perfeitas, é importante levar o sofrimento da pessoa a sério e evitar respostas que possam fazê-la sentir-se incompreendida, culpada ou ainda mais isolada.
Não é sobre dizer a coisa certa, é sobre saber ouvir
Quando alguém nos fala sobre ideação suicida, é natural surgir alguma insegurança.
“E se eu disser alguma coisa errada?”
“E se não souber o que responder?”
“E se piorar a situação?”
Estas preocupações podem levar-nos a evitar a conversa. No entanto, muitas vezes, uma das coisas mais importantes que podemos fazer é simplesmente estar presentes e ouvir.
Ouvir significa permitir que a pessoa fale sem a interromper constantemente, sem fazer julgamentos de valor, sem minimizar aquilo que está a sentir e sem transformar imediatamente a conversa numa tentativa de encontrar soluções.
Podemos dizer algo como:
“Estou aqui para te ouvir.”
“Lamento que estejas a passar por isto.”
“Obrigado/a por confiares em mim.”
“Não precisas de lidar com isto sozinho/a.”
Falar sobre suicídio incentiva o suicídio?
Esta é uma das dúvidas mais frequentes quando falamos sobre prevenção do suicídio. Existe a ideia de que perguntar diretamente a alguém se tem pensamentos suicidas pode “pôr-lhe ideias na cabeça” ou seja, de alguma forma aumentar o risco de suicídio. No entanto, esta crença contribui para evitar conversas que podem ser importantes.
Falar sobre suicídio de forma responsável não significa incentivar o suicídio. Uma pergunta feita com cuidado e preocupação genuína pode permitir que uma pessoa fale sobre algo que até então estava a enfrentar em silêncio. Permitir espaço para a expressão de emoções e sentimentos não incentiva ao comportamento de suicídio: pelo contrário, pode permitir mitigar necessidades e desencadear um pedido de ajuda que, de outra forma, poderia não existir.
Podemos começar por uma simples pergunta.
“Como estás realmente?”
Ou:
“Tenho notado que não pareces estar bem. Queres falar sobre isso?”
O objetivo não é pressionar a pessoa a falar, mas sim mostrar que estamos disponíveis para ouvir.
E depois de ouvir? Como podemos agir?
Quando percebemos que alguém está a passar por um sofrimento significativo, podemos sentir que é nossa responsabilidade encontrar uma solução. No entanto, não precisamos de resolver tudo sozinhos.
A nossa função pode ser ajudar a pessoa a aproximar-se dos recursos e das pessoas que podem prestar o apoio de que necessita.
Dependendo da situação, podemos:
- Incentivar a pessoa a procurar ajuda profissional, como um psicólogo, psiquiatra ou médico;
- Ajudá-la a marcar uma consulta ou acompanhá-la, caso se sinta confortável com isso;
- Incentivar o contacto com familiares, amigos ou outras pessoas de confiança;
- Manter-nos próximos e disponíveis, sobretudo durante períodos de maior sofrimento;
- Se existir preocupação com a segurança da pessoa, procurar ajuda junto de profissionais ou serviços de saúde;
- Perante uma situação de risco imediato, procurar ajuda de emergência, não deixando a pessoa sozinha enquanto essa ajuda não chega.
É importante lembrar que acompanhar alguém não significa assumir sozinho/a a responsabilidade pela sua segurança ou recuperação. Significa reconhecer que aquela pessoa precisa de apoio e ajudá-la a chegar até quem pode fornecê-lo.
Para onde encaminhar?
O encaminhamento deve ser adequado à situação e ao nível de risco identificado.
Perante ideação suicida ou sofrimento psicológico significativo, os serviços de saúde podem avaliar a situação e orientar para a resposta mais adequada, que pode incluir acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico.
Quando existe risco elevado ou imediato para a segurança da pessoa, é fundamental procurar ajuda urgente, através dos serviços de emergência ou de um serviço de urgência.
Por isso, conhecer antecipadamente os recursos de saúde e apoio existentes na nossa comunidade pode ser uma ferramenta importante de prevenção. Não basta dizer a alguém “procura ajuda”: sempre que possível, podemos ajudar a transformar essa recomendação num passo concreto.
Falar de suicídio também é falar de luto
Quando ocorre um suicídio, existe um impacto que ultrapassa a pessoa que morreu. Familiares, amigos, colegas e outras pessoas próximas precisam de lidar com uma perda particularmente dolorosa e complexa.
O luto por suicídio pode envolver tristeza profunda, choque, raiva, culpa, confusão e muitas perguntas sem resposta.
“Podia ter feito alguma coisa?”
“Porque é que não percebi?”
“Porque é que não me disse?”
Estas perguntas podem acompanhar a pessoa durante muito tempo.
É importante compreender que o luto por suicídio pode ser particularmente complexo e que não existe uma forma única de o viver. O apoio da rede de pessoas próximas pode ser importante, assim como o acompanhamento psicológico quando o sofrimento se torna difícil de suportar ou começa a interferir significativamente com o funcionamento diário.
A prevenção do suicídio não é apenas uma questão individual

Para além do papel individual que cada um de nós pode ter na mudança de narrativa e na quebra do estigma, é importante também olharmos para o papel das instituições e organismos coletivos na prevenção do suicídio.
As escolas assumem um papel particularmente importante, enquanto espaços de socialização e desenvolvimento integral de crianças e jovens. Além disso, são lugares onde crianças e jovens passam grande parte do seu tempo e onde podem ser desenvolvidas competências relacionadas com a saúde mental, a gestão emocional, a procura de ajuda e a construção de relações de apoio.
Os locais de trabalho também podem ter um importante papel enquanto agentes de mudança. Para isso, devem ser promovidas medidas que contribuam para ambientes de trabalho positivos e seguros, com abertura e disponibilidade para falar sobre saúde mental sem medo do julgamento. É fundamental que, no contexto laboral, as pessoas saibam reconhecer sinais de sofrimento e facilitar o acesso às respostas mais adequadas, criando uma verdadeira cultura de prevenção.
Por fim, de uma forma geral, é fundamental priorizarmos a prevenção do suicídio enquanto comunidade. Uma pessoa que se sente ligada aos outros, que tem espaços de pertença e que sabe onde procurar ajuda pode ter mais oportunidades de encontrar apoio quando atravessa um período difícil.
Por isso, a prevenção do suicídio não pode ser responsabilidade de uma única pessoa. É uma responsabilidade individual, comunitária e social.
Mudar a narrativa começa em cada um de nós
Mudar a narrativa sobre o suicídio não significa falar sobre o tema apenas num dia específico do ano ou para assinalar um mês, como o Setembro Amarelo.
Significa contribuir, de forma contínua, para o desenvolvimento de uma cultura onde falar sobre sofrimento psicológico seja possível. Onde pedir ajuda não seja motivo de vergonha. Onde uma pessoa possa dizer “não estou bem” sem receio de ser julgada. Onde familiares e amigos saibam que não precisam de ter todas as respostas para poder estar presentes. E onde a prevenção seja entendida não apenas como uma responsabilidade individual, mas como um compromisso de toda a sociedade.
Podemos começar por pequenas ações:
- Informar-nos sobre saúde mental e prevenção do suicídio;
- Questionar os nossos próprios preconceitos;
- Evitar comentários que culpabilizem ou minimizem o sofrimento;
- Perguntar às pessoas que nos rodeiam como estão — e estar preparados para ouvir a resposta;
- Falar sobre saúde mental com maior naturalidade;
- Incentivar a procura de ajuda profissional quando percebemos que alguém está a sofrer;
- Acompanhar e facilitar o acesso aos serviços de apoio quando necessário;
- Conhecer os recursos disponíveis na nossa comunidade;
- Lembrar-nos de que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
Porque mudar a narrativa começa quando deixamos de olhar para o sofrimento em silêncio e começamos a responder-lhe com compreensão, empatia e apoio.
Serviços de apoio em Portugal
Em Portugal, existem alguns contactos úteis para a prevenção do suicídio e diminuição do risco:
112 — Emergência
Para situações de perigo ou emergência médica imediata.
Linha de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico
Contacto: 1411
Horário: 24 horas, 7 dias por semana
SOS Voz Amiga
Contactos disponíveis: 213 544 545 ; 912 802 669 ; 963 524 660 ; 930 712 500
Horário: diariamente das 15h30 as 00h30
Linha Verde gratuita
Contacto: 800 209 899
Horário: entre as 21h e as 24h
Conversa Amiga
Contacto: 808 237 327 ; 210 027 159
Horário: das 15h às 22h
Vozes Amigas de Esperança de Portugal
Contacto: 222 030 707
Horário: das 16h às 22h
Telefone da Amizade
Contacto: 228 323 535
Horário: das 16h às 23h
Voz de Apoio
Contacto: 225 506 070
Horário: das 21h às 24h
SOS Criança e Jovem
Contacto: 111 6 111
Horário: segunda a sexta, das 9h as 19h









