Dia de Reis e prioridades curiosamente podem estar interligados. No Dia de Reis celebramos a chegada de três figuras que ofereceram presentes cheios de significado ouro, incenso e mirra, não como gestos aleatórios, mas como escolhas conscientes sobre o que tinha verdadeiro valor.
Todos os dias fazemos escolhas, conscientes ou não, sobre aquilo a que damos prioridade. O problema é que nem sempre o que ocupa mais espaço na nossa vida é aquilo que mais nos faz bem. Este artigo é um convite à reflexão, mesmo para quem este dia não tem qualquer significado, ele pode ser celebrado com uma pergunta essencial: a que estamos a dar poder na nossa vida emocional? O que ocupa o trono das nossas decisões, do nosso tempo e da nossa energia?
Dia de Reis e prioridades: quem governa a tua vida emocional?
Dia de Reis e as prioridades ganham profundidade quando olhamos para o comportamento dos Reis Magos. Eles observaram sinais, fizeram uma viagem longa e ofereceram presentes com intenção, definindo prioridades conscientes. Houve escolha, discernimento e consciência. No entanto, na vida emocional acontece o oposto: muitas prioridades são herdadas, impostas ou mantidas por hábito. Raramente paramos para questionar se aquilo a que damos mais espaço merece realmente a coroa. Todos temos um “reino emocional”. A questão é que nem sempre escolhemos conscientemente quem governa. Muitas vezes, o trono é ocupado por culpa, medo de desiludir, necessidade de aprovação, urgência constante, expectativa dos outros… quando estas ocupam o trono, surgem sintomas como ansiedade, exaustão emocional, dificuldade em colocar limites e sensação de vazio.
Rever prioridades não é egoísmo. Prioridades não são apenas listas ou resoluções de ano novo. São decisões repetidas, muitas vezes automáticas, que determinam onde colocamos o nosso tempo, energia emocional e atenção.
Neste sentido, o dia de hoje é um bom lembrete: aquilo que governa em silêncio acaba por determinar como vivemos, como nos relacionamos e como cuidamos de nós. Se hoje tivéssemos de escolher três prioridades fundamentais, que presentes mereciam ser colocados no centro da nossa vida?
Primeiro presente: Tempo (Ouro)
O ouro simboliza valor. Hoje, o tempo é um dos recursos mais desvalorizados emocionalmente. O tempo tornou-se um dos recursos mais escassos. Vivemos em modo urgência Priorizar o tempo não significa fazer mais, nem fazer mais tarefas, mas sim:
- Escolher onde investir energia;
- Reconhecer limites físicos e emocionais;
- Aceitar que descanso é necessidade, não recompensa;
- Abandonar a ideia de que estar ocupado é sinónimo de valor pessoal.
Aquilo a que damos o nosso tempo revela aquilo que valorizamos. Quando tudo é urgente, nada é verdadeiramente importante e há um verdadeiro impacto num tempo mal governado. Psicologicamente, isto traduz-se em: exaustão crónica; dificuldade em sentir prazer, irritabilidade constante; sensação de estar sempre em falta…
Dar valor ao tempo é um dos maiores atos de autocuidado e prevenção em saúde mental.
Segundo presente: Relações seguras (Incenso)
O incenso simboliza ligação, presença e sentido. Sabemos que as relações têm um impacto direto na regulação emocional. No entanto, muitas vezes colocamos no trono relações que vivem de instabilidade; usam culpa como vínculo; exigem disponibilidade constante; minam a autoestima.
Relações com esta base não merecem a coroa, lembra-te de a dar às relações que respeitam os teus limites, permitem divergência sem ameaça, não te fazem duvidar de ti constantemente e promovem crescimento não medo. Questiona-te: esta relação ajuda-me a crescer ou a encolher?
Terceiro presente: Presença emocional (Mirra)
A mirra simboliza cuidado, vulnerabilidade e finitude. Este presente representa a capacidade de estares contigo próprio, mesmo nos momentos difíceis. Muitas vezes não conseguimos lidar com as emoções mais desconfortáveis e acabamos a fazer pequenas fugas como: distração constante; racionalização excessiva; negação emocional… evitar sentir não é o mesmo que cuidar. A verdadeira prioridade não é eliminar emoções desconfortáveis, mas sim não te abandonares quando elas surgem. Acolhe-te, fica emocionalmente contigo, isto envolve:
- Reconhecer emoções sem julgamento;
- Validar a própria experiência;
- Praticar autocompaixão;
- Pedir ajuda quando necessário.
Escolher conscientemente
Quem governa o teu reino interno? Não escolhemos tudo o que nos acontece, mas escolhemos aquilo a que damos poder contínuo. Prioridades não são intenções vagas. São escolhas repetidas: nos limites que colocamos; no descanso que permitimos; nas relações que mantemos e na forma como falamos connosco.
Talvez este ano o maior presente não seja algo novo, mas a coragem de destronar o que já não serve e reorganizar o que já existe.
Para refletir
O que ocupa mais espaço na tua vida neste momento? Isso merece realmente a coroa? Que presente emocional estás pronto para receber este ano?